13 de março de 2017

Lidando com imprevistos


Você sai de casa pela manhã e não faz idéia de que tem um imprevisto te esperando logo ali na frente.
Imagem sem referência.


Imprevistos ocorrem na vida de todos. Para aqueles que têm filhos, os imprevistos são tantos e com tamanha frequência, que já os levamos em consideração ao nos organizarmos no dia-a-dia. As frases abaixo, tão típicas de pais e mães, demonstram um modus operandi de vida onde o imprevisto já foi incorporado como parte do cotidiano.

"Eu vou levar uma ou duas roupas a mais porque se ocorrer um imprevisto..."
"Vou deixar uma porção de comida a mais congelada porque se acontecer qualquer coisa..."
"Melhor adiantar o trabalho porque se eu precisar me ausentar devido a algum imprevisto..."

Na semana passada, eu estava com uma agenda de trabalho e afazeres pronta para a sexta-feira. Eu deixaria a criança na escola, a empregada ficaria em casa fazendo faxina, eu teria duas horas de coffeeoffice onde eu terminaria de ler um artigo e trabalharia no rascunho de um texto, e teria mais duas horas para entrevistar uma amiga para, juntas, escrevermos um post para o Lar Dulci Lar. Ao terminar a entrevista eu buscaria a criança na escola e voltaria para organizar o jantar, banho, estória, beijo de boa noite e, finalmente, sono. Não rolou. Quarenta minutos depois de deixar minha filha na escola, a professora me ligou. Melina tinha sido picada por uma formiga e estava apresentando uma reação alérgica em todo o corpo. Interrompi o coffeeoffice, cancelei a entrevista, saí correndo, peguei a criança, levei no pronto-socorro, depois na farmácia e voltei para casa. Empregada fazendo faxina, criança querendo atenção e lanchinho, e eu com metade dos pensamentos nos compromissos que eu havia planejado, e outra metade tendo que lidar com as novas tarefas impostas pelo momento presente. 


Diante dos imprevistos, entregar-se ao presente é uma boa coisa a se fazer.
Imagem sem referência.



Se os imprevistos são certos, é possível se preparar ou precaver-se para que a sua chegada cause o menor dano possível na nossa vida? Como fazer para lidar bem com eles, minimizando seus impactos negativos sobre nosso cotidiano? É possível, ainda, abrir-se para as possibilidades positivas que eles podem trazer consigo? 


Diante do inesperado que nos tira do sério, repita comigo:
Hoje é um bom dia! Hoje é um bom dia! Hoje é um bom dia!

Imagem sem referência.


Diante de um imprevisto - um mal-estar que nos tira de cena, o cancelamento de um compromisso,  um cartão bloqueado, um filho doente, uma bagagem que não chegou em seu destino, uma batida de carro ou uma bateria arriada, um vôo cancelado por mal tempo - a primeira habilidade fundamental que nos é requisitada é a presença. Saber se desapegar do que estava planejado e habitar o momento presente em sua plenitude é essencial. Isso nos protege de uma atitude tóxica, que é a de ficarmos remoendo o que íamos fazer e que, de repente, ficou impossível. Imprevistos nos obrigam a este grande - e benéfico, acreditem - exercício emocional. Diante de um vôo cancelado não adianta xingar, praguejar e se desesperar. Se conseguimos nos colocar diante da nova situação, inteiros, certamente encontraremos uma solução, uma saída, uma nova rota a seguir. 

Voltando para o exemplo da minha última sexta-feira, de nada adiantaria reclamar ou ficar pensando no que eu tinha planejado fazer. Cancelada a entrevista para liberar minha amiga para outros compromissos, me despojei totalmente da agenda. Me dediquei a ficar com minha filha, ministrar os remédios, fazer lanchinho para nós duas, desenhar e aproveitar da melhor maneira possível a tarde que tínhamos juntas pela frente, com a empregada dentro de casa. Esse desapego não é automático, mas com a prática, vai ficando mais fácil.


A velha história do limão e da limonada. É clichê, mas vale a pena tentar.
Imagem Unsplash.


Ter uma administração doméstica organizada também ajuda bastante a minimizar os impactos negativos que os imprevistos podem causar na sua rotina. Já passei por imprevistos que deixaram um rastro de caos durante vários dias. Quer um exemplo? Basta ficar de cama por dois ou três dias com uma virose forte, e a casa vira um pandemônio. Já passou por algo assim? É horrível, e quando estamos nos sentindo um pouco melhor de saúde, ao invés de descansarmos para nos recuperar, precisamos cuidar da casa e pôr a vida em dia, exigindo ainda mais de nós mesmos.

Também no âmbito profissional, ser organizado, estar preparado para trabalhar a distância e saber delegar são competências que podem minimizar, e muito, o impacto negativo dos imprevistos. É possível reduzir o acúmulo de trabalho, não atrasar respostas e comunicações importantes e manter algumas atividades básicas fluindo.

No nosso mundo atual, é comum termos a falsa sensação de poder e de controle sobre nossas próprias vidas. Planejamos tudo de tal maneira, que não imaginamos ou não acreditamos que, de repente, podemos ser chamados a sair de cena, mesmo que a contragosto. Talvez, por isso, não costumamos nos preparar, nem nos precaver minimamente, na medida do possível, para lidar com os imprevistos. Sobretudo para quem tem pessoas e animais sob sua responsabilidade, esse é um bom tema para refletir.


2 comentários:

  1. Dulci o assunto encaixou-se muito bem no que está rolando aqui... isso tem sido frequente em casa por conta das viroses do momento. Sem opção cancelo os compromissos dos próximos 5 dias e vamos em frente planejar o que fazer em casa para entrete-las.

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    1. Carol, fico sempre me perguntando como regressar ao mercado de trabalho desse jeito. Como vamos assumir compromissos e responsabilidades se nunca sabemos onde vamos estar? Estamos juntas!

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