30 de setembro de 2013

Quem veio primeiro?

Vitrine do magazine John Lewis,  Londres.
Imagem Dulci Dantas


Quem veio primeiro? O ovo ou a galinha? E o Tostines? É fresquinho porque vende mais, ou vende mais porque é fresquinho? E a indústria e comércio nos oferece aquilo que precisamos e queremos, ou ela nos diz o que devemos precisar, querer e comprar?

A vitrine do grande magazine londrino John Lewis me pareceu uma piada de mau gosto, um joguinho de palavras bobo como se todos nós, consumidores, fôssemos ingênuos o suficiente para acreditar nessa balela. Que a indústria, as marcas e o mercado preocupam-se com aquilo que queremos. E como se a principal função do marketing não fosse exatamente nos convencer de que a necessidade partiu de nós, e não de quem vende.

Assunto complicado que vem esquentando meus miolos cada vez mais. Já não consigo comprar uma peça de roupa ou um objeto sem pensar na procedência, no processo industrial envolvido, no impacto ambiental, na motivação real que está por trás do impulso de compra de mais uma peça. O fato de tudo hoje ser tão descartável me incomoda. A impulsividade e excitação a que os ambientes de lojas nos levam é enlouquecedor. É muito difícil resistir a tentação das vitrines, as prateleiras recheadas de promessas em embalagens bem projetadas para serem desejadas, em kits de preço reduzido onde comprar 5 unidades que você não precisa sempre vale muito mais a pena que comprar somente a unidade que você queria. E enquanto você passeia pelas prateleiras - comprar virou entretenimento? - a música vencedora do Grammy toca alto, alguns telões desfilam imagens sedutoras, frases de efeito me encorajam a comprar mais, para somar mais uma peça. Na mente ecoam as desculpas "Está muito barato", "No Brasil custa o dobro", "Vale a pena", "Vou aproveitar". 

É um verdadeiro tormento. Em várias lojas me peguei repleta de peças e produtos que não precisava, que eu nem queria, mas que por algum milagre da experiêcia multisensorial avançada vieram parar no meu colo. Em algumas lojas eu consegui simplesmente largar tudo e sair correndo. Em outras eu acabei comprando, na maioria das vezes de forma criteriosa e planejada, mas não sem cometer alguns escorregões de excesso, confesso. 

A noite, no hotel, após desembrulhar todas as compras vejo o excesso de embalagem - sacolas, plásticos, suportes de papelão, papel de seda, fitas, etiquetas, tags - encher as lixeiras. No cartão de crédito o salário referente ao mês futuro que ainda nem foi vivido, nem trabalhado, já está comprometido.  Como foi que viemos parar aqui? E quando foi que passamos a achar tudo isso tão normal e até inteligente, esperto?

Sou uma consumidora "café-pequeno" perto do que presenciei em Londres e Nova York. As pessoas saem para fazer compras com malas de rodinhas! Mas, apesar disso,  venho me questionando e fazendo auto-críticas severas quanto ao excesso de consumo e gastos na vida. Tenho refletido no impacto que isso gera no ambiente a minha volta e longe de mim, já que tudo vem de todas as partes do mundo atualmente. Tenho me questionado até que ponto o consumo virou um vício anestesiante na vida cotidiana, paliativamente eficaz contra a ansiedade, tristeza, frustração, descontentamento, solidão e perda de consciência. 

Ainda estou engatinhando no assunto mas de uma coisa eu já tenho certeza, de que a maioria de nossos gostos, preferências, necessidades e desejos não nos pertencem, pelo simples fato de não terem sido criados por nós e sim pela indústria e comércio. 


Um comentário:

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