28 de janeiro de 2013

Dinheiro invisível



Até agora nós já conversamos sobre mitos que podem sabotar sua vida financeira, qual o seu provável perfil financeiro, como descobrir o valor exato do seu salário disponível para suas despesas, e  esclarecemos o que são despesas fixas e variáveis. Com o final do mês se aproximando, vocês já devem estar reclamando que o dinheiro anda curto. Por esse motivo, vamos conversar hoje sobre despesas ou dinheiro invisíveis. 

O maior drama das pessoas que não conseguem ter organização financeira, deve-se ao descontrole e desconhecimento das suas próprias despesas. Saber quanto você paga de contas (aluguel, condomínio, parcela do financiamento da casa ou carro, mensalidade da faculdade, conta de celular, plano de saúde, etc.) é relativamente fácil, pois você recebe uma conta impressa na sua casa, para ser paga. Difícil é saber o quanto você gasta em despesas diárias, picadas e dispersas. Algumas despesas chegam a ser quase invisíveis, como aquele cafézinho, o pagamento do estacionamento, o flanelinha, um lanchinho na padaria. A gente cata os trocados na carteira, as moedas e vai pagando. Já aconteceu com vocês de colocar uma nota de cinquenta reais na carteira e, após trocá-la para pagar alguma coisa, de repente aquele dinheiro sumir? Você revira os bolsos e a bolsa inteira, e pensa: "Ué? Mas eu tinha cinquenta reais aqui, só paguei o lanche, cadê o resto?". Pois é isso que eu chamo de dinheiro invisível, ele sai da carteira sem a gente ver. 

Como fazer nessas situações? 

100% das cartilhas, livros e apostilas de finanças pessoais vão dizer a vocês que tudo que se gasta deve ser anotado. Absolutamente tudo. Do cafézinho ao flanelinha. Da moedinha de dez centavos a nota de cinquenta reais. E é o que você realmente precisa fazer, o problema é que nem sempre temos papel, caneta e paciência para fazê-lo. Eu mesma tentei essa experiência milhões de vezes. Falhei em todas, até que mudei algumas rotinas de como comprar e pagar, e isso foi o que resolveu meu caso. 

Se você puder, pague tudo no débito automático ou no cartão. Tudo mesmo, até o chiclete na padaria. Dessa forma, no final do mês você terá em seu extrato bancário a relação completa dos gastos, que até então eram invsíveis, e eu aposto que você vai tomar um susto quando somar todos os valores. 
Eu prefiro pagar tudo no cartão de crédito pois ganho bônus em programas de milhagem, que eu uso para comprar passagens aéreas. Recomendo. Mas ATENÇÃO, apenas opte pelo pagamento em débito ou cartão se você for uma pessoa que tem conhecimento de como funcionam esses recursos, inclusive seus limites, formas de pagamento e juros. Do contrário, você pode acabar contraíndo uma dívida indesejada. 

Se você não tem cartão de débito ou crédito, ou não gosta de usá-los e prefere dinheiro, a minha sugestão é a seguinte: Separe um valor para despesas semanalmente. Por exemplo: Toda segunda-feira você coloca R$100,00 na carteira, e pagará tudo com este dinheiro. Assim, você saberá exatamente quanto pode gastar e, no final da semana, verá o que sobrou na carteira. O controle não é 100% preciso, mas já é mais organizado do que ficar pegando dinheiro aos poucos e perdendo a conta. 

Além disso, peça nota fiscal de tudo. Isso é muito importante. Até da água e também do cafézinho e do chiclete. O ideal é que você tenha um compartimento na sua carteira para suas notinhas. Eu adquiri esse hábito por duas razões:

Primeiro, devido a viagens de trabalho. Como passo períodos de dez a quinze dias fora do país trabalhando, utilizando dinheiro da empresa, sou obrigada a juntar todas as notas de despesas para realizar uma prestação de contas quando retorno ao Brasil. Se eu esquecer de pegar alguma notinha, na prestação de contas vai aparecer a diferença em dinheiro, e eu tenho que cobrir aquela despesa do meu bolso (em euro, dólar e libra). Foi assim que aprendi a pedir nota fiscal de tudo e a guardá-las de forma organizada. 

O segundo motivo pelo qual passei a pedir nota fiscal de tudo que gasto, deve-se a criação do Programa da Nota Fiscal Paulista. Quando cadastrado nesse programa (você se inscreve no programa através do site deles), você recebe o ressarcimento de alguns impostos. No momento da compra você pede ao caixa a nota paulista, informa o seu número de CPF e aquele valor vai ser creditado no seu relatório (que pode ser consultado a qualquer momento no site). Eu costumo acumular meus créditos ao longo de um ano, e então peço para creditarem na minha conta corrente. Sempre dá um bom dinheiro. Não deixem de se informar a respeito desse programa, ele existe no Rio de Janeiro também. Mais um bom motivo para você pedir sua nota fiscal.

E o que você faz com todas essas notas? Eu as organizo em uma pastinha folder, tamanho pequeno, que mais parece uma carteira (como a da foto abaixo). Uma vez por semana atualizo minha planilha, e assim vou criando uma consciência de quanto dinheiro gastei naquela semana, e como estão as finanças ao longo mês, e quanto ainda tenho disponível até o próximo salário. Assim eu sei se preciso apertar os gastos ou se posso me dar alguns presentinhos e mimos.
Ao começar a guardar suas notas fiscais, não se espante com a quantidade de compras,  lanches e demais despesas de que você é capaz ao longo de uma semana e de um mês inteiro.
Esse é um ótimo exercício para medir o seu nível de consumismo.


Na pastinha folder, eu organizo as notas nas seguintes categorias:

CASA
Todas as notas fiscais de despesas com supermercado, feira, decoração e demais coisas para a casa.

CARRO
Todas as notas fiscais de despesa com gasolina, troca de óleo, lavagem, etc.

PESSOAL
Todas as notas fiscais de despesas referentes a alimentação na rua (cafézinho, lanchinho, almoço fora de casa), roupas, acessórios, leituras, etc. Tudo que gasto comigo mesma.

PARCELADAS
Aqui eu reúno as notas fiscais de compras parceladas no cartão ou no cheque. 

OUTROS
Sempre tem alguma conta que a gente não sabe classificar muito bem, então vai para a conta OUTROS.

Esse método me livrou dos caderninhos e bloquinhos nos quais eu tentava anotar minhas despesas, mas que ao final sempre virava a maior bagunça, e acabava me confundindo mais do que ajudando a me organizar. E, além disso, juntar as notinhas - acumular aquela papelada na carteira - me fez perceber de uma maneira muito realista como eu estava gastando demais, comprando demais. Cada nota tinha sido trocada por um montante de dinheiro, e assim eu recebia um bem ou serviço. Na maioria das vezes, um bem e/ou serviço do qual eu não precisava. Isso me ajudou a criar uma maior consciência na hora de comprar.  

Faça a experiência por uma semana e me conte como foi. Deixe suas sugestões e comentários aqui no blog ou na nossa fanpagem no Facebook







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