23 de julho de 2012

A vida em transformação



A vida se transforma, e a casa se transforma com ela. Existe uma casa para cada estilo, e também para cada idade e fase da vida. Adaptamos a casa para receber o bebê, de modo a protegê-lo de tomadas, fios e choques. Fazemos mudanças necessárias para nossos animais de estimação, instalando  redes de proteção nas janelas e varandas. E, para os idosos, uma série de cuidados especiais para evitar quedas dentro de casa, escorregões e acidentes que, a esta altura da vida, podem ser fatais. Pensando no dia-a-dia das nossas famílias, o Lar dulci Lar lança duas novas categorias de assuntos: Idosos e Segurança no Lar.

Atualmente dispomos de inúmeros recursos para perpetuar a aparência e a sensação de juventude: Plásticas, tratamentos estéticos, médicos, terapêuticos. Atividades sociais, acadêmicas e físicas parecem esticar a vida produtiva das pessoas para um patamar inimaginável há cinquenta anos atrás. Ninguém emprega mais o termo "velhice" ou "velho". O politicamente correto indica o emprego de "Idoso" e "Melhor Idade". Ser jovem é lindo, mas ser velho... um horror! Será que precisa ser assim? Será que não podemos enxergar a velhice com o que ela tem de mais belo? Uma vida vivida, histórias, amores, sabedoria, aprendizado. Meu sogro, prestes a completar noventa anos, diz que em sua terra natal Romênia existe o ditado: "Se você não tem um velho, compre um!". 

Observem como, muitas vezes, forçamos a barra dos nossos velhinhos para que se mantenham de agenda cheia: Viagens, dança de salão, hidroginástica, curso de informática, idiomas, artesanato.  É claro que manter um ritmo saudável é importante, manter atividades que dão prazer também. Mas, às vezes, precisamos respeitar a mudança de ritmo e de prioridades que se opera nessa altura da vida. Precisamos respeitar o tempo da contemplação, do descanso, da tranquilidade e silêncio.

Em muitas famílias, é comum que a percepção de que um de seus membros envelheceu se dê somente a partir de algum evento dramático, como um tombo dentro de casa ou um escorregão. Daí vemos como  a recuperação é demorada, sofrida, e nos chocamos ao ouvir o médico dizer "na sua idade...", com ar de repreensão. Nesse momento sentimos um desalento, uma pontinha de medo. Você foi dormir e nem percebeu que seu avô ou avó, sua mãe ou seu pai, envelheceram e ficaram frágeis. Não percebeu que chegou a hora de trocar de lugar com eles, de assumir aspectos da vida deles que você nem imaginava. Olhou em volta e viu que a casa, que eles mesmos prepararam para a vida, agora pode oferecer riscos. 

Existem muitas adaptações que podem ser feitas de maneira simples e que aumentam enormemente a segurança no lar. Essas mudanças devem ser feitas aos poucos, e sempre precedida de muita conversa e esclarecimento, paciência, respeito e amor para que as pessoas não se sintam incapazes e diminuídas dentro de sua própria casa. Não adianta chegar mudando tudo na casa do outro dizendo que é para seu bem. Não é assim que funciona. Isso pode, ao contrário, gerar teimosia, o que pode ser um problema maior que um tapete ou escada no meio do caminho. 

O primeiro passo é observar seus velhinhos. Olhe para eles com olhos generosos e amorosos, atentos, interessados e sem fantasias. 

Está com dificuldade de andar? 
Arrasta muito os pés enquanto caminha? 
No corredor apóia-se nas paredes ou nos móveis? 
Os objetos caem de suas mãos com certa frequência? 
Está sempre derrubando algo na mesa, ou quebrando a louça ao invés de lavá-la? 
Observe como seguram copos, garfos, canetas. As mãos parecem firmes ou vacilantes?
Precisa de apoio ou de alguém para levantar-se do sofá ou da cama pela manhã? 
Sempre esquece onde colocou as chaves ou os óculos?
Já se perdeu na rua e precisou de ajuda de alguém para voltar para casa?
Observe como sobem escadas, como entram e saem de elevadores.
Discretamente dê uma olhada na limpeza da louça, copos e talheres. Muitas vezes, a perda da visão prejudica na percepção do limpo/sujo na hora de lavar a louça, o que pode provocar problemas como vômitos e diarréias.
Abra a geladeira e verifique se os alimentos estão sendo bem guardados e conservados.
Verifique se a roupa de cama, mesa e banho é trocada com frequência.
Investigue - essa vai dar um pouco mais de trabalho - se há sinais de incontinência urinária, um problema muito comum com a idade avançada.
Faça testes - discretos - para testar a memória. Será que a pessoa sabe onde encontrar telefones importantes e de emergência? 
Observe onde e como a pessoa guarda seus remédios de uso diário, e como os administra.

O segundo passo é observar o ambiente.

Há tapetes escorregadios pela casa?
Há móveis ou objetos pontiagudos ou de vidro?
Os móveis nos quais a pessoa se apoia - uma mesa, cadeira, aparador - são firmes ou podem cair, quebrar, escorregar?
Há escadas? Observe a largura, a altura do degrau, se ele é escorregadio ou não. Como a pessoa se comporta ao subir e descer estas escadas? O corrimão é firme?
A casa é muito tumultuada de móveis e objetos, dificultando a circulação da pessoa? 
Dê uma atenção extra aos banheiros. Tapetinhos de tecido podem ser escorregadios e traiçoeiros. Cortinas de box podem ser um falso apoio e muito perigoso. O vaso sanitário pode estar muito baixo, gerando um esforço muito grande para a pessoa no momento de se levantar, sozinha, sem nenhum apoio por perto. Prateleiras de vidro também podem ser perigosas. 
Observe aonde a pessoa guarda telefones importantes, úteis para casos de emergência.
Veja se o telefone e interfones são bem acessíveis, em caso da pessoa estar ferida dentro de casa e precisar ligar para alguém.
Conheça os vizinhos, tenha o número de telefones deles em caso da pessoa não atender ao telefone. Informe o número do seu celular ao porteiro do prédio ou aos vizinhos, para emergências.
Tenha cópia das chaves da casa da pessoa.




No primeiro momento não faça nada além de observar a pessoa, seus movimentos e hábitos, além das características do ambiente. Isso vai lhe dar pistas preciosas de como abordar o assunto e planejar algumas mudanças simples, sobre as quais falaremos em breve aqui no Lar dulci Lar

3 comentários:

  1. Olá, Dulci!Ótima ideia, as novas categorias do blog serão super úteis para pessoas que como eu tem idosos na família.
    Seria tão bom se os idosos fossem respeitados e valorizados pela sua vivência e experiência mas o que observo é os considerarem como peso e incômodo.
    Bjos e ótima semana.
    Sílvia

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  2. Ótima iniciativa! Parecem detalhes mas são itens importantes a ser considerados na decoração de um ambiente que privilegia as pessoas idosas e portadoras de necessidades especiais!

    Beijokinhas,

    Luiza Mallmann
    decorarsustentavel.blogspot.com

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  3. Parabéns pelo post.
    Além de lúcida percepção acerca de nossa sociedade doentiamente jovem, em diversos aspectos, esse apanhado de pequenas coisas a serem observadas é realmente de grande utilidade.
    Acompanharei seus posts sobre o assunto.

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