13 de novembro de 2011

Dedicação é preciso


Imagem: Caroline. 

Oi gente!!! Dei uma sumidinha mas já estou de volta, e bem feliz porque ontem fui assistir ao show do meu "Beatle" favorito - Ringo Starr - que veio pela primeira vez ao Brasil com "His All Starr Band".  

O show aconteceu no Credicard Hall em São Paulo. Evento super organizado, uma quantidade decente de pessoas (do tipo que você consegue transitar entre elas, sem ser espremido nem pisoteado, nem se perder dos amigos), ambiente agradabilíssimo, som de primeira qualidade, músicos incríveis e que, simplesmente, escreveram a história da música com suas belas canções e arranjos. Tudo isso a dez metros de distância do palco, quer dizer, não era preciso apelar para o telão. Mas, o melhor de tudo isso foi o fato da vinda de Ringo Starr e seus amigos não ter causado o menor estardalhaço na mídia. Uma notinha aqui e outra acolá. Em nada se comparou a vinda de Paul McCartney. Tem muita gente por aí que diz que adora os Beatles, mas não faz idéia de quem seja esse "tal de Ringo". Pois, para mim, tanto melhor. Dizer que o show foi intimista seria um exagero, mas foi para poucos e, sim, eu estava lá! Que sensação deliciosa.

Assistir ao show foi a consagração de uma autêntica admiração que tem começo muito recente. Me tornei fã dos Beatles no começo desse ano de 2011. Até então eu apenas conhecia o nome do grupo, dois de seus integrantes (McCartney e Lennon), uma música ou outra e só. Não fazia idéia do que estava perdendo. Caí de amores pela banda, e mais especificamente pelo Sr. Ringo Starr e George Harrison, quando assisti a um documentário de cinco dvds chamado The Beatles Anthology ("coisas do marido"). De lá para cá foram livros, toda a coleção de cds, outros documentários, shows. Quanto mais eu conhecia a história da banda e a trajetória de cada um dos músicos, mais interessantes e cheias de sentido ficavam as músicas. A relação entre as diferentes fases criativas e a história da música e seus criadores ia ficando mais clara, quanto mais eu me aprofundava. E os Beatles puxaram  ainda mais os Rolling Stones, o Jimi Hendrix, o Eric Clapton, a British Invasion, The Travelling Wilburys e Bob Dylan para dentro da minha casa, do meu Ipod e da minha vida. Outros tempos, mesmos sentimentos. 

Isso me fez pensar o quanto nós perdemos ao navegarmos na superficialidade, seguindo indiscriminadamente o fluxo da maioria, deixando assim de dedicarmos nosso tempo e atenção a conhecer algo que nos atrai. Talvez, devido (em parte) a nossa pressa patológica e ao excesso de "falatório" sobre tudo neste mundo, nos aprofundamos pouco sobre aquilo que nos interessa. Parece que estamos optando por saber pouco sobre muitas coisas, ao invés de conhecermos bem, poucas coisas boas nessa vida. Como nos pressionamos uns aos outros para estarmos sempre por dentro de tudo que acontece e, como todos os dias é uma enxurrada diária nos jornais, revistas, televisão, rádio, internet, twitter, facebook, blogs e etceteras, ficamos pairando num limbo repleto de "ouvi dizer", "está todo mundo falando", "a última moda", "tem que ter", "tem que ir". Não admira que tenha um punhado de gente por aí se queixando de um certo vazio existencial, sem saber muito bem o que fazer com esse "mal-estar".  

Temos tudo (ou quase tudo), compramos tudo que podemos mas o vazio não passa. Decoramos nossos apartamentos e casas com todos os últimos lançamentos das revistas de decoração e da CasaCor mas, ainda assim, sentimos falta de um Lar. Todos os dias queremos saber das últimas novidades em Moda&Decoração, mas morremos de amores por objetos vintage, que nos remetem ao passado seguro, quente e comfortável. Com frequência, nos sentimos insaciáveis e perdidos. Daí o surgimento de tantas receitas (quase todas loucas) para se atingir a felicidade, para encontrar o amor, para levar a vida... E por aí vai. Queremos uma solução, mas ela precisa ser prática, fácil e rápida. 

Sempre escrevo aqui no blog como meu marido e eu amamos livros, fotografia, quadros, arte, música, e como nossa casa é cheia dessas coisas. Trata-se de curiosidade pura e interesse genuíno sobre alguns poucos assuntos, mas que enchem a nossa casa e nossas vidas de sentido, de melodia, de cores, de sensações, de idéias, de perspectiva, de história. A vida não tem receita, mas "fazer o dever de casa" ajuda, e muito, na hora de construir uma vida rica e repleta de sentido. O bom é que nesse caso você escolhe sobre o que quer estudar, e cria seu próprio universo particular. 

"Got to pay your dues if you wanna sing the blues, 
and you know it don't come easy." Ringo Starr

(Você tem que pagar as suas dívidas se você quiser cantar o blues, e você sabe que isso não vem fácil.)
Dedicação é preciso!


Peace&Love!

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