10 de outubro de 2011

Trocando de lugar



Camiseta French Connection.


Depois de quinze dias viajando por Londres, Paris e Nova York a pergunta que não sai da minha cabeça é a seguinte: Somos consumidores ou nos transformamos em "consumidos"? 

Todas as vezes que faço viagens de Pesquisa de Tendências & Produto, fico com a sensação de que o mundo enlouqueceu, e que as pessoas perderam totalmente o controle quando o assunto é comprar. Durante duas semanas assisti a um espetáculo assustador de pessoas comprando, e comprando muito. Comprando de tudo e comprando sem parar e sem medida. Nem de longe vejo esse furor no comércio brasileiro. 

Muitas pessoas argumentam que, em parte, o motivo desse consumo desenfreado se deve aos preços  bem mais baixos do que no Brasil. Em parte eu concordo, mas ainda assim, o volume das compras é algo assustador. Vejo pessoas saindo das lojas com tantas sacolas que mal conseguem andar. Pessoas indo às compras com malas de rodinhas para conseguir carregar tudo. Será que precisamos assim de tantas roupas, sapatos, maquiagens, bolsas, objetos? E ainda, será que essas pessoas que compram desenfreadamente fora do país também consomem loucamente quando voltam pra casa, no restante do ano? 

Daí a minha pergunta: Consumidores ou "consumidos" pelos produtos com preços atraentes? Pelas lojas com visual merchandising de sonho, com convites sedutores, manequins com produções deslubrantes? Começo a achar que estamos sendo devorados pelo comércio, pelos produtos, pelo Marketing, pelo Branding, pelo Visual Merchandising, pelas estranhas estratégias de preços absurdamente baratos. Eu mesma me rendi diante de uma marca de Cosméticos, onde na compra de um rímel eu ganhava uma necéssaire com seis produtos de maquiagem "inteiramente grátis". Quem já entrou em uma Victoria's Secret sabe que vai até lá comprar um creme hidratante, mas certamente sairá com sete produtos, pois no final vale mais a pena comprar seis produtos e ainda levar o sétimo de graça. Outra mestre no assunto é a Apple. Por apenas alguns dólares a mais é possível dobrar a quantidade de gigabytes do seu Ipod, ITouch ou Iphone. 

Como isso é possível? Como as as novas estratégias de Marca-Produto-Preço-Propaganda conseguiram nos fazer deixar o raciocínio lógico, o bom senso e o equilíbrio do lado de fora ao entrarmos em determinadas lojas? Eis um mistério do qual, às vezes, eu também não consigo escapar, assim como todo mundo, mas que me assombra, e muito. 

Curiosamente, em tempos de mil discursos para salvar o planeta, arrisco dizer que, se a indústria mundial (de moda, cosméticos e tecnologia sobretudo) produzisse o dobro, ainda seria pouco para tanto furor consumista. 


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