24 de março de 2017

Mudando dos pés a cabeça

Dá pra manter o charme e um pouquinho de glamour na pracinha, ainda que nos pés.
Imagem Dulci Dantas


No post Adaptando e Reduzindo o Closet, eu falei sobre como a minha opção por deixar o trabalho para cuidar da minha filha em período integral impactou o meu estilo de vestir. Mas confesso a vocês que onde eu primeiro senti a necessidade de mudança foi nos pés, quero dizer, nos sapatos. 

Quando me tornei mãe, passeava diariamente empurrando o carrinho pelas ruas até a pracinha. Voltei a andar a pé, prática que eu havia abandonado aqui em São José dos Campos, pois só andava de carro. Então optei por usar sapatilhas e, no máximo, um salto estilo anabela. Depois que o bebê "desceu do carrinho", eu "desci do salto". Logo eu, que usei salto até para ir para a maternidade.  Eu estranhei. Meu marido estranhou também, porque estava muito acostumado a me ver sempre encima de saltos, tanto para trabalhar como para passear. Mas como eu ia correr atrás da criança, quando ela disparava pela pracinha ou pela rua? Como eu ia entrar no parquinho de areia? Caminhar pela grama com a pequena? E carregar os doze quilos no colo na volta para casa? 

Sou daquelas mães que leva a criança para passear e deixo ela brincar, se sujar, rolar. Fico desesperada quando vejo uma mãe ou um pai levar a criança no parquinho, e dizer para ela com voz brava: "Não pisa na areia para não sujar o seu sapato!". Ué? Porque levou a criança então? Para olhar as outras brincando? Como é possível pisar na areia e impedi-la de entrar nos sapatos?

Por esses motivos todos precisei adaptar meus pisantes. Os passeios mais gostosos com a Melina eram, e continuam sendo, ao ar livre, em parques, jardins, pracinhas e praias. Quase não frequento o shopping com ela. Foi uma verdadeira mudança de cenário na minha vida. Eu, tão urbana, passei a frequentar a natureza. E, com isso, troquei de sapatos literalmente. Decidi que era hora de me adaptar a esta nova fase da vida - na mente, no corpo, no closet e na sapateira, para então curtir bons momentos junto com minha Melina.

Eu não curto tênis. Para mim é um calçado para academia e atividades esportivas. Nunca me sinto arrumada de tênis, e acho que ele me engorda porque encurta minhas pernas. Apesar de ser carioca, gosto de chinelos só para ir a praia, piscina ou em casa. Rasteirinhas, para mim, são como Havaianas. Então o jeito foi optar pela sapatilha. Primeiro, eu destruí uma sapatilha linda indo a pracinha. De tanto pisar na areia, na grama, na lama... a sapatilha se foi. Um dia, por acaso, vi uma sapatilha da Melissa que era, ao mesmo tempo, prática, resistente, confortável e charmosa. Depois das aventuras com a pequena Melina, era só chegar em casa e enfiar a sapatilha dentro do tanque e jogar água. Ficava novinha em folha!


Dupla dinâmica: Crocs e Melissa. Prontas para o que der e vier.
#melinaandme #nósduas #semprejuntas
Imagem Dulci Dantas

Com a pequena não foi diferente. Precisei penar um pouco até descobrir que os sapatos perfeitos para Melina são um par de Crocs, para as atividades mais radicais, e uma Melissinha para os momentos menininha, com possibilidade de sapequices. A idéia é exatamente a mesma da sapatilha. Quando ficam muito sujos, jogo no tanque e escovo com sabão de côco e logo ficam prontos para o próximo passeio. Além de fáceis de limpar, tanto o Crocs como a Melissinha são fáceis de colocar e tirar, e a pequena já sabe calçá-los sozinha, apesar da preguiça. Para os dias de chuva, Melina tem uma galocha Crocs, que enfrenta qualquer poça de água ou de lama. Ela se diverte, e eu não esquento a cabeça.


Carnaval das meninas com muito confete e conforto.
Imagem Dulci Dantas


Com essa pequena mudança de estilo eu relaxei muito na hora de sair. Parei de sofrer cada vez que sujava e estragava um sapato de tanto pisar na terra, na água e no mato. Também me libertei da ansiedade, e da conta, de comprar um monte de sapatos para Melina, todos tão fofos mas tão caros! Na verdade, a criança usa muito esses sapatos tipo Crocs e Melissa para brincar. Aqueles outros lindos, tanto tênis caros como os sapatos de festa, acabam sendo usados pouquíssimo, e logo são perdidos porque os pézinhos não páram de crescer. Além de simplificar a sapateira, minha e de Melina, descompliquei também a hora de sairmos de casa, sobrando mais tempo e bom-humor para curtimos nossa vida juntas. 


22 de março de 2017

Organizando bichinhos de pelúcia


Essa é a turma da pesada aqui de casa. Mamãe Dulci arrumou a turma para a foto oficial.
Imagem Dulci Dantas


Na semana passada eu contei para vocês como eu organizo a estante de brinquedos da minha filha, no post Como Organizar Brinquedos. Agora quero mostrar para vocês onde ficam os bichos de pelúcia. Toda criança tem bichos de pelúcia. O tempo passa e os brinquedos se modernizam, mas os bichos de pelúcia permanecem os mesmos em tipo, cores e volume. Quem tem criança em casa, tem um monte deles, gostando ou não. Aparentemente é fácil mantê-los em ordem, mas no dia-a-dia vemos que a rotina é bem outra. As revistas de decoração sempre mostram os bichinhos lindamente organizados em prateleiras, estantes ou nichos. Mas, para mim, não funciona. É mais um daqueles casos de descolamento da vida real e da vida nas revistas. Se a sua criança brinca com os bichinhos, assim como a minha brinca todo santo dia (dizendo "Mãe! Ele é tão fofo!"), precisamos então de um esquema prático e acessível para arrumá-los e guardá-los.

O quarto que, hoje, nossa filha ocupa era o escritório-estúdio do marido antes dela nascer. Com centenas de livros, equipamentos e instrumentos. Mas, com a gravidez e a reforma do apartamento para receber Melina, o marido foi despejado desse quarto para um escritório bem menor no que originalmente seria o quarto de empregada do apartamento. Contudo, alguns estojos de guitarra ficaram de fora, e o jeito foi mesmo deixá-los no quarto do bebê. No começo, nenhum problema. A medida que o bebê foi virando criança, e os bichos de pelúcia começaram a bater na porta aqui de casa, decidi adotar os estojos das guitarras como uma espécie de arquibancada para os novos agregados. Sabe que deu certo?


Vida longa ao rock n'roll! A turma já está na arquibanca de estojos, pronta para o show!
Imagem Dulci Dantas

Na foto acima vocês podem ver que os estojos têm um ar retrô, o que me agradou bastante. O bichinhos ficam assim mesmo como vocês estão vendo. Meio juntos, meio amontoados. Há, inevitavelmente, aqueles dias que eles estão bagunçados mesmo, mas sempre na arquibancada. Melina entendeu, desde cedo, que aí é o lugar deles. Ela tem pleno acesso para tirá-los e empilhá-los do jeito que quiser. Afinal, o quarto é dela e os brinquedos também. Vez por outra, eu dou uma ajeitada neles, arrumo um vestido, penteio um cachorrinho, resgato um ou outro que estavam soterrados.

E, para a nossa conversa ser bem franca, é importante dizer que é possível organizar a casa com crianças dentro de certas limitações. A gente precisa aceitar que não vai ficar com cara de revista o tempo todo, e tudo bem. Às vezes precisamos trabalhar a tolerância e o senso de realidade dentro de nós, os pais, e reduzir nossas ansiedades e expectativas nesse quesito. A foto que vou mostrar a seguir é do mesmo ambiente, só que dessa vez arrumado pela Melina. Não me importo muito que os bichinhos não estejam na sua melhor apresentação, mas o fato dela saber, com menos de três anos, o lugar de guardá-los e, efetivamente, colocá-los lá (ainda que meio atropelados), para mim é suficiente para a fase da vida em que ela está. 

Bichinhos de pelúcia "arrumados e organizados" pela Melina, aos dois anos e oito meses de idade.
Esta foto foi tirada exatamente uma semana depois das fotos que abrem este post, onde eu tinha arrumado os bichinhos. Para mostrar para vocês que organização para crianças é uma questão de educação - planejamento, rotina e aperfeiçoamento. Uma hora eles chegam lá!
Imagem Dulci Dantas


Em um outro post que escrevi, entitulado A organização no cotidiano de grandes e pequenos, publiquei a foto abaixo com uma proposta de organização de bichinhos de pelúcia bem similar a que adotei aqui em casa. Você pode produzir um móvel como este a partir de uma gaveta de cômoda, acrescentando pés de madeira, ou rodinhas, e pintando com uma cor graciosa que combine com o quarto. 




Observe bem este móvel. Parece ter sido feito a partir de uma gaveta de cômoda. Que tal tentar esse projeto?
Imagem via Pinterest.


Um pouco diferente do proposto por ambientes ultra decorados e controlados, que vemos em algumas revistas e blogs de decoração, lidar com a realidade de uma casa que têm crianças, considerando a dinâmica de suas brincadeiras, pode exigir que sejamos mais simples, práticos, criativos, bem como pacientes e tolerantes. Mas não menos lúdicos e organizados.


20 de março de 2017

Adaptando e reduzindo o closet


Meu armário, sem maquiagem, sem produção nem truques de câmeras.
Imagem Dulci Dantas



Tem gente que não acredita. Mas é verdade. Uma estilista - no caso eu - tem um armário de apenas um metro de largura, quatro gavetas e duas prateleiras. Você vai dizer que tenho roupas guardadas em outros cantos da casa, o que não é totalmente mentira. De fato, eu guardo três casacos de inverno e uma bota em outro armário, especial para o inverno. E só.

Verdade que, apesar do ofício no mundo da moda, nunca tive um armário abarrotado. Nunca fui uma compradora compulsiva de roupas, sapatos e bolsas. Depois que minha filha nasceu, meu estilo mudou completamente. Doei uma parte significativa das minhas roupas de trabalho, mais formais e que eu não aguentava mais olhar para elas. Imagina só ir de calça social e scarpin pra pracinha, correr atrás de criança e fazer picnic. Imaginou? Pois é, esse perfil de estilo não cabe mais na minha vida. Precisei adaptar. 



Cada momento com suas particularidades. As diferentes fases da vida pedem atualização no estilo.
Imagem via Pinterest.


Além disso, o preço das roupas no Brasil não está nada acessível. A decisão de sair do emprego para cuidar da minha filha me obrigou a ser ainda mais seletiva, prática, econômica e focada nas compras. Em outras palavras, não está sobrando dinheiro para comprar errado, para comprar por esporte, por puro impulso consumista ou passatempo. Mas, aqui entre nós, que jeito ruim de consumir, não é? Esse jeito inconsciente, que leva nosso dinheiro embora, que abarrota os armários, que só nos deixa mais indecisas na hora de nos vestir, e que nos dá mais trabalho para cuidar, lavar, passar, dobrar e guardar.


No dia-a-dia acabamos sempre vestindo os mesmos "eleitos" de sempre.
Imagem via Pinterest.


Por tudo isso, passei a usar mais as roupas que tenho. Passei a comprar menos e melhor. E, se você se observar direitinho no seu dia-a-dia, vai perceber rápido quais são as suas roupas e acessórios "campeãs de uso". Aquelas peças que você veste e combina "de olhos fechados", e que sempre dá certo. Aqueles sapatos que são "pau pra toda obra", que aguentam o tranco do seu dia sem machucar ou maltratar seus pés. Aquela bolsa que resolve a sua vida. Então... porque ter tantas coisas a mais? 


Com menos roupas e acessórios, percebo que o cuidado e o carinho com as peças são outros. A gente cuida melhor. A gente curte e explora mais as possibilidades de combinações. Na hora de comprar, a gente tem em mente o que já possui para combinar, e erra muito menos. Na hora de viajar, a mala fica pronta em meia hora. Antes, era um tormento para separar o que eu ia levar. Agora não. Levo o que tenho, o que uso todos os dias. Não há mistério.


Importante ressaltar que "menos" não significa "menor". Você pode ter poucas roupas boas, de alta qualidade e incríveis em termos de estilo.
Imagem via Pinterest.


Se você acha que o meu armário (na foto que abre este post) é pequeno, vou logo lhe dizendo que estou doida para retirar, pelo menos, um terço do que você está vendo na foto. São roupas que, apesar de bonitas e novas, na verdade eu não as uso, ou uso tão pouco que não justifica o espaço que ocupam e o trabalho que me dão. Simplicidade é assim. Quanto mais a gente pratica, mais a gente quer se aperfeiçoar. 




18 de março de 2017

Branco no preto


Não são luzes, são cabelos brancos!
Imagem Dulci Dantas


Está se tornando cada vez mais frequente. Pelo menos uma vez por semana eu sou abordada por uma mulher, curiosa para saber como eu fiz "esse efeito" no meu cabelo. Enquanto estou comprando algo ou pagando alguma coisa, percebo que a outra pessoa está olhando fixamente para o alto da minha cabeça com um ar intrigado e curioso. Quando levanto os olhos, e pego a pessoa no flagrante, ela se engasga, tenta disfarçar, mas a curiosidade é tanta que, invariavelmente, ela me pergunta: "Moça... isso no seu cabelo... ", e  fica sem saber como terminar a frase. Não sabe se pergunta se eu fiz luzes "brancas"? "Prateadas"? Ou se é cabelo branco natural. 

Então eu respondo com a maior naturalidade, "é cabelo branco mesmo". E sempre segue o comentário: "Mas ficou tão diferente! Tão bonito!". Algumas pessoas custam a entender o meu cabelo, porque ele é branco em duas mechas nas têmporas, e bem mesclado na parte de trás. Vai da raíz do cabelo até a ponta. A maioria de nós está acostumada a ver mulheres jovens e maduras de cabelos pintados, ou com a maldita raiz branca aparecendo apenas um ou dois centímetros. Somente as muito velhinhas costumam assumir seus cabelos, não mais grisalhos mas completamente brancos. Daí que ver um cabelo grisalho natural em uma mulher de quarenta e poucos anos confunde. Todo mundo acha que é produzido no salão. É que, na verdade, pouca gente viu um cabelo feminino grisalho natural. Mas até que enfim isso está mudando.

Outra coisa que chama a atenção das mulheres é o fato do meu cabelo ser grisalho e ainda ter brilho. Então eu digo a elas que não faço nenhum procedimento químico nos cabelos. Nunca fiz. Nem tintas, nem alisamentos. O resultado disso é que, aos quarenta e três anos de idade, a fibra do cabelo está bem preservada em espessura, brilho e movimento. Além de economizar (muito) dinheiro com pintura, retoque, hidratação e reconstituição da fibra capilar, há também o ganho de um cabelo saudável.


Quando mais grisalho fica, mais eu gosto. Estilo wild and free.
Imagem Dulci Dantas.


Meus primeiros fios brancos começaram a aparecer aos vinte e sete anos de idade. Como eram dois ou três, eu os arrancava. Daí surgiram mais. Eu arranquei também. E então eles começaram a aparecer com uma certa insistência e volume. Os cabelos que eu havia arrancado começaram a nascer espetados, aparecendo ainda mais. Eu já tinha entrado na casa dos trinta. Percebi que seria uma luta em vão. Meu pai e meu irmão mais velho já estavam bem grisalhos. Eu seria a próxima. Minha mãe sempre pintou o cabelo, e ainda pinta. Mas eu, que sempre tive a maior preguiça de ir a salões de beleza, evitei qualquer intervenção nos meus cabelos. 

O tempo foi passando, os cabelos foram ficando cada vez mais brancos e longos, misturando ao restante do cabelo que é de um castanho bem escuro, principalmente depois que me mudei do Rio para São Paulo, e reduzi a exposição ao sol. 



Não entendo quem pinta os cabelos brancos de loiro, como se a cor amarela fosse mais digna que a cor branca. No final todo mundo sabe que ali tem um cabelo branco pintado. Então qual é a idéia?
Imagem via Pinterest.

Aos poucos, fui refletindo sobre o assunto. Eu sempre gostei da cor dos meus cabelos, não conseguia me ver ruiva, nem loira, nem com luzes. Os cabeleireiros insistiam para que eu tonalizasse de castanho. Além da preguiça, eu achava os procedimentos caros demais, além de exigir uma vigilância e manutenção constante. E, a cada vez que eu me olhava no espelho, me achava mais e mais parecida com meu pai, e então descobri que eu gostava disso.

Comecei a observar que a maturidade e seus aspectos mais aparentes, sobretudo os cabelos brancos e as rugas, quando acolhidas com intenção e respeito, dão ao ser humano uma dignidade sutil e verdadeira. Passei então a gostar muito do meu cabelo. Talvez, ainda mais do que quando era uma adolescente com cabelão castanho de fazer inveja. Meu cabelo grisalho me conectava ao meu passado, através de meu pai, e a minha própria experiência de vida. Me sinto mais segura, autêntica e confortável com ele, muito mais do que se tivesse a última tendência em coloração. 

Durante os mais de dez anos que viajei com frequência para a Europa, observei que, por lá, os cabelos grisalhos são mais comuns em mulheres de todas as idades. E são lindos. Além de bem cuidados, eles se apresentam em cortes modernos e até bem ousados. 






Tive um chefe na área de Moda que se incomodava bastante com meus cabelos brancos, e sempre me perguntava se eu não tinha intenção de pintá-los. Algumas vezes ele tentou me intimidar, me chamando de "velhinha", achando que fazia graça. Uma dia eu respondi a ele que não tinha intenção de pintar, e que eu não tinha medo de ficar velha. Então o assunto morreu, para meu sossego. 

Muitas mulheres ainda tem resistência a assumir seus cabelos grisalhos, porque se construiu uma idéia de que deixar os cabelos brancos é sinal de desleixo. Bem, essa é uma idéia incutida nas mulheres, e que presta um grande serviço a bilionária indústria da beleza e estética. Qualquer que seja a cor do cabelo, se ele é lavado, hidratado, bem cortado e arrumado, não tem absolutamente nada de desleixado, mesmo sendo branco. 

O culto a juventude eterna parece não ter fim, mas algumas pessoas já estão se cansando de correr contra o tempo. É como correr encima de uma esteira. Você fica exausto, mas nunca chega a lugar nenhum. Aceitar as impressões do tempo e da experiência de vida no próprio corpo é uma forma de dizer "sim" a si mesmo, e de cultivar o amor próprio sem preconceitos e, sobretudo, esteriótipos.


15 de março de 2017

Como organizar brinquedos


Uma estante simples e ao alcance da criança.
Imagem Dulci Dantas 



Há alguns dias, escrevi um post sobre como tentar criar um ambiente de aconchego e sossego no quarto das crianças, que permita a elas descansarem (leia o texto na íntegra AQUI). E um outro sobre como decorar o espaço dos pequenos, de forma a educá-los para serem organizados (leia este texto AQUI).

Hoje eu trago para vocês algo mais concreto, para além das idéias. Fiz fotos do meu lar e, com elas, trago dicas de como organizamos os brinquedos aqui em casa, na real. Sem produção, maquiagem ou "truques de câmera".

Antes de falarmos de como organizar os brinquedos, vale uma observação importante. Aqui em casa temos poucos brinquedos. Eu compro pouquíssimos brinquedos para Melina. Gosto daquilo que permite brincadeiras mais livres, como bolha de sabão, lápis de colorir, papel, peças de montar, baldinho e pá para brincar na pracinha. A maioria dos brinquedos que ela tem foram presentes de aniversário e Natal. Não faço isso por economia, mas tudo vira brinquedo na mão da Melina, o que coloca a imaginação e criatividade dela para funcionar, muito mais do que entregar a ela um brinquedo pronto. Por esses motivos, nós não temos excessos em casa, o que, por si só, já facilita bastante a organização do espaço.

A estante da foto que abre esse post está aqui em casa há mais de dez anos, e nos servia como estante de livros. Quando Melina nasceu, ela virou a estação central dos brinquedos. Além dela, temos um outro espaço onde ficam os bichos de pelúcia e uma mini-cozinha, que mostrarei para vocês em posts futuros. Como é possível observar, são poucos brinquedos e cada um no seu lugar.


Aos três anos de idade a criança já é capaz de entender conceitos básicos e simples de organização.
Imagem Dulci Dantas.


A maleta de ferramentas foi nosso presente de Natal. Originalmente, este brinquedo vem em uma mala que vira uma mesa, e ainda traz um carrinho de montar. É um brinquedo grande e que ocupa muito espaço. Mas existia a opção de comprar somente as ferramentas, e foi isso que eu fiz. Daí comprei uma maleta em uma loja de construção (a maleta não é brinquedo, é de "verdade"), e coloquei tudo dentro. Todas às vezes que vamos consertar alguma coisa, e o marido puxa a maleta dele, ela sai correndo para pegar a dela. É um brinquedo que ela adora, brinca muito e, apesar de ser composto por várias peças, nunca perdeu nenhuma parte, pois ela sabe exatamente onde guardá-los após terminar de brincar: dentro da maleta.


Não é necessário centenas de peças de montar. Com algumas poucas peças a imaginação da criança é capaz de criar mundos.
Imagem Dulci Dantas


A mesma idéia se dá com os blocos de montagem. Eles vieram dentro de um saco, mas eu peguei uma caixa de sapatos que eu tinha guardada e adaptei para o brinquedo. Coube perfeitamente e também nunca perdemos nenhuma pecinha.


Não é preciso gastar com material específico para organização. Procure em sua cozinha potes e caixas que possam ser reutilizados e que sejam fáceis da criança manusear.
Imagem Dulci Dantas 


No aniversário de um ano, Melina ganhou uma coleção de mini-Peppas. Depois ganhou 2 playmobils com um cachorro, um urso da Lego, um cachorrinho da Patrulha Canina e um minipônei. Essa coleção de miniaturas é um xodó, que sempre gera briga entre as amigas quando vêm aqui em casa, porque todo mundo quer brincar com eles. Crianças adoram esses bonequinhos pequenos, tão fofos e perfeitos para serem espalhados e perdidos pela casa. Sendo assim, colocamos todos eles dentro de um pote de pipocas, que Melina pegou em uma festa de aniversário e nunca mais devolveu. É o pote mais simples do mundo, a disposição em qualquer supermercado, cheio de milho para fazer pipoca. Mas que funcionou perfeitamente. Quando eu peço a ela para guardar os amigos, ela pega o pote e brinca de jogar um por um lá dentro e, depois, fechar a tampa de rosca.  


Dê a cada brinquedo ou material a sua importância, reservando para cada um deles um espaço e um recipiente específico. Isso ensina a criança a ter cuidado com seus pertences.
Imagem Dulci Dantas


E como toda criança ama desenhar e colorir, naturalmente foram surgindo lápis de cor e giz de cera , vindos de todas as partes. No começo, os lápis apareciam nos mais variados cantos da casa, e sempre que ela queria uma cor e esta estava desaparecida, era um chorôrô danado! Então coloquei a coleção de giz de cera gigante em um pote de sorvete, que ela consegue abrir com facilidade. E a de lápis de cor guardei em uma latinha. Originalmente comprada na Tok&Stok para guardar bolinhas de algodão. Usei pouquíssimo como porta-algodão, mas ficou perfeita como porta-lápis.


Cada coisa em seu lugar.
Imagem Dulci Dantas


Todos esses brinquedos ficam na estante baixa, ao alcance da Melina. É fácil de organizar porque, apesar de ter uma grande quantidade de peças e partes, eles se transformam em poucos volumes quando agrupados em suas caixas e potes. Eles não ficam sempre no mesmo lugar, na mesma ordem ou sequência, mas isso não importa. Mesmo trocando de lugar, fica sempre organizado, pois os brinquedos não se misturam. E, ainda que Melina decida espalhar todos os brinquedos pelo chão, de uma só vez, na hora de guardar é muito mais fácil e rápido, pois cada cada coisa tem o seu lugar definido e de fácil acesso.


O baú das tranqueiras. Ele pode existir, mas não precisa transformar o espaço em um caos.
Imagem Dulci Dantas


E por fim, a caixa de tranqueiras. Toda criança tem suas miudezas, uns brinquedinhos tranqueiras, brindes de festas, brindes de lanchonete e coisas desse tipo. Eles adoram essas coisas, e criam mil e uma brincadeiras com esses elementos. Daí porque mantenho vários deles, mas todos dentro de uma caixa, na verdade, um cesto da Tok&Stok que comprei especialmente para esse fim. O cesto não deixa a baguncinha aparente, ele fica como se fosse um gavetão. E ainda, dá um toque charmoso na estante. Prefiro a palha a um cesto plástico, por se tratar de uma fibra natural.

Tem dias que Melina vira o cesto de cabeça para baixo, coloca um guarnapo de mesa vermelho sobre ele e o arranjo vira a mesa do picnic ou a mesa do bolo de aniversário. Uma imaginação que não tem fim. 

Nestes quase três anos com criança em casa, observei que, com o espaço organizado, limpo e amplo (destralhado), a criança brinca livre e desfruta muito mais de seus brinquedos e fantasias.